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Por Frodo Oliveira.

Mineiro de Itaúna, Geraldo Magella Rodrigues Moreira da Silva ou apenas Magella Moreira, cursou Engenharia de Produção pela  Universidade de Itaúna (UIT) e se formou Mestre em Administração pela  Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC). Leitor assíduo desde  criança, apresenta em sua primeira obra o que foi sua infância na  companhia da doméstica de sua casa. Os dois tinham a rotina diária de  frequentar velórios e, de uma forma um tanto quanto diferente, inspirado  nas histórias do passado, Magella criou seus personagens e uma coletânea  de contos fúnebres que ilustram bem isso.

E.M.: Quem é Magella Moreira?

M.M.: Tenho 27 anos, sou Engenheiro de Produção, com Mestrado em Administração e um amante da leitura desde criança. Moro com minha família em Itaúna, no interior de Minas Gerais, e sou o caçula de quatro filhos homens. Gosto da vida vivida de forma tranquila e pacata.

E.M.: Como vc percebeu que tinha talento para escrever histórias?​

M.M.: Desde pequeno me mostrei bastante comunicativo, engraçado e fantasioso. Fazia fichas de livros da escola e as ilustrava sempre. Minhas respostas aos questionários literários deixavam as professoras em dúvida se aquilo era mesmo de minha autoria. Ainda criança, com oito ou nove anos, fiz uma redação que, além de participar de um concurso municipal, ganhou o primeiro lugar, e isso pôde me dar ideia que eu era capaz.

E.M.: “Nota de Falecimento” parece uma colcha de retalhos de “causos”, para utilizar um linguajar bem mineiro. Por que a morte como tema principal do seu primeiro livro?

M.M.: Quando criança, em nossa casa, trabalhava uma senhora com um gosto bastante peculiar: ela gostava de visitar diariamente velórios de pessoas que conhecia e também de quem não conhecia. O mais interessante é que eu, por ser o caçula e ficar sob sua tutela, tinha que ir junto dela. Foram anos de minha infância com esse “programa de índio” e nisso o material suficiente para um livro, daí a escolha do tema ter sido pegar fragmentos da minha infância e colocá-los no papel.

E.M.: Suas histórias e personagens são puramente fictícios ou a realidade acaba “invadindo” o espaço da ficção?

M.M.: Pode-se se dizer que o enredo tem muito da realidade, mas os personagens, não. Eu era muito pequeno quando frequentava esses velórios, então, por não me lembrar das pessoas que faleceram, procurei construir casos como os que são noticiados na internet, jornais ou até mesmo com base nas histórias que ouvi dos mais velhos. Ou seja, em que pese ser uma fase da minha vida relatada ali, todos os casos são fictícios.

E.M.: Você é a pessoa engraçada e irreverente que a leitura de seus textos deixa transparecer ou essa parte da sua personalidade está perfeitamente dominada no seu dia a dia?

M.M.: Sou tudo isso que o livro deixa transparecer e um pouco mais. Considero-me um pouco louco, tento levar a vida com mais alegria e naturalidade, pois sou sobrevivente de uma depressão e sei o quanto a tristeza pode nos levar ao fundo do poço. Desde criança era o engraçadinho da sala e consequentemente o mais frequente em visitas à diretoria das escolas.

E.M.: Em quem você se espelhou ao começar a escrever? Alguma inspiração literária mais forte?

M.M.: Não que eu me compare a ele, mas vejo que o meu livro tem muito em comum com o estilo e as obras de Luis Fernando Verissimo. Seus livros possuem contos curtos e fáceis de serem lidos, o que acho que seja o primordial para os dias de hoje, com a advento da tecnologia. Isso não quer dizer também que ele seja minha única inspiração, pois desde que prenda minha atenção, leio tudo.

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E.M.: Você se considera um autor, um escritor, ou as duas designações podem conviver em harmonia?

M.M.: Acho que um pouco das duas coisas. Posso me considerar um autor por ter meu primeiro livro publicado em âmbito nacional, mas ao mesmo tempo, um escritor que ainda não conquistou seus louros e continua na incessante prática da escrita.

E.M.: O advento da internet facilitou o seu ingresso na literatura, tanto como leitor quanto como escritor?

M.M.: Como leitor, sinceramente, não facilitou em nada. Mesmo sendo um amante da natureza, ainda vejo a necessidade do sacrifício de algumas árvores para se tornarem páginas a serem escritas. Não faço apologia ao desmatamento, mesmo porque a indústria do papel hoje possui matéria-prima proveniente de reflorestamentos, mas sou daquele leitor que gosta de sentir o cheiro de livro novo e de ter sua própria biblioteca. Já quanto a me tornar escritor, sim teve o papel principal na minha carreira. Se não fosse a internet não conseguiria ter feito a pesquisa que fiz sobre editoras, levando muitas vezes o não como resposta, mas ainda assim, tendo a porta aberta pela a editora que agora é minha casa, a Multifoco.

E.M.: Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

M.M.: Sim, claro: deixe que outras pessoas leiam o que produziu e aceite as críticas, sejam elas quais forem. Depois, reúna material suficiente para a publicação de um livro, faça uma pesquisa para descobrir quais são as editoras que publicam a sua linha editorial, e, sobretudo, nunca desista, pois você, com certeza, receberá vários nãos até o momento do glorioso sim.

E.M.: Quais os projetos futuros do escritor Magella Moreira?

M.M.: Para 2016 já está pronto o projeto de um livro infantil,  totalmente ilustrado, que terá como intuito aproximar pais e filhos em um momento de leitura. Além desse projeto, possuo mais onze engatilhados que a qualquer momento podem ser encaminhados para aprovação editorial. No momento, pretendo investir na divulgação do “Nota de Falecimento”. Acredito que com uma boa divulgação e caindo em mãos certas, ele pode ter excelente aceitação por parte dos leitores.

Nota de Falecimento no site da Editora Multifoco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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