Entrevista a Charlie Rock

Charlie Rock é autor de Emanuel entre lobos e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

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Charlie RockComo se descobriu escritor?

Compondo letras para a minha banda de rock. O início do meu primeiro livro é uma letra musical de autoria minha, que todos os integrantes da banda detestaram por ser uma canção depressiva.

Qual a sua principal inspiração?

A cultural folclórica. Pretendo usar e abusar do folclore brasileiro.

Sua profissão ou o lugar de onde veio tiveram alguma influência em seus temas e em seu modo de escrever?

Sim, e muito. Escrevo usando as experiências que tive de ambiente e pessoas importantes para mim.

Quais as suas principais referências literárias?

Tenho poucos escritores para admirar, mas um, em especial, mudou minha forma de escrever. O escritor britânico Ken Follett causou essa mudança mais séria na minha escrita. Mas também admiro o escritor carioca Eduardo Spohr e a lenda viva Laurentino Gomes.

Qual o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

Os pilares da Terra, do autor Ken Follett, foi um livro que me abalou a ponto de sentir desespero com o fim do livro. Eu queria ler mais e não tinha mais folhas, então reli. A história em si é tão grandiosa em detalhes que me fez viver dentro da Idade Média. Admito que chorei com o final. Foi importante pela época sem inspiração que tive no trabalho, por não ser valorizado no cargo em que estava. O livro me animou a segui a diante.

Como funciona o seu processo criativo, como cria seus personagens e histórias?

Nunca pensei sobre o que gostaria de escrever, simplesmente a ideia nasce. Meu primeiro livro surgiu de um trabalho de História na escola, o segundo de uma notícia de jornal. Não durmo no dia da ideia [risos].

Em que se tornar um contador de histórias modificou a sua vida?

Eu vivo uma fase em que preciso me sentir útil com aquilo que faço, odeio ser só mais um. Por isso, publicar um livro me deu vida, imposição de deixar um pouco de conteúdo. Contar histórias que possam trazer alegria e satisfação ao leitor é o maior presente que posso oferecer.

Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinho todos os problemas surgidos durante o processo?

Sozinho. Não acho interessante acrescentar ideias que não sejam minhas. Gosto de escrever tudo e deixar o leitor decidir se é bom ou se volta para a prateleira.

O advento da internet facilita ou atrapalha o ingresso na literatura, tanto de novos leitores quanto de novos escritores?

Facilita e muito. A internet oferece aos leitores livros que nunca encontrariam em livrarias, e os escritores ganham com parcerias e amigos escritores que buscam o mesmo público.

Em sua opinião, qual a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

Divulgação. Um plano de incentivo à literatura. Não se pode dizer que é o acesso aos livros, isso não é mais desculpa. A grade televisiva precisa dar mais acesso à literatura, e até a parte cultural de cada cidade precisa ser menos seletiva. A literatura está numa fase jovem. É preciso expor mais para esses leitores, e a divulgação de eventos e amostras é essencial.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

É uma luta solitária se você não tem muitos recursos. Mas não impossível. Dedique-se à sua escrita, padronize sua forma de escrever, seja diferente, abuse da sua criatividade. Há momentos em que você pensará em desistir por falta de criatividade ou insegurança se dará certo. Críticas sempre são bem-vindas, guarde isso. Melhore de queixo erguido.

Quais os planos para o futuro?

Primeiramente terminar minha faculdade, arrumar um emprego naquilo de que gosto e continuar escrevendo. Tenho muitas ideias para pouco tempo. E, quem me dera, ter a honra de ser pai.