Entrevista a Cristiane Mancini

Cristiane Mancini é autora de Um estudo recente sobre a máfia na economia italiana e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

Confira nossa programação.


Cristiane ManciniComo se descobriu escritora?

Desde muito pequena eu leio bastante. Uma das disciplinas que mais gostava na escola era Português e essa paixão se estendeu para outras línguas. Gostava de escrever desde as redações pedidas pelos professores, eram como cartinhas sempre longas. Quando eu lia algum livro pensava como seria escrever aquela história. Comecei então a escrever poesias e o início partiu daí, pois não parei mais de escrever. Atualmente, como economista, um dos pontos principais da minha profissão é escrever relatórios, artigos que têm o papel de contribuir com a ciência.

Qual a sua principal inspiração?

A minha principal inspiração foi uma professora de português chamada Giselle. Além do amor que ela transmitia em suas aulas, a sua competência era ímpar e eu adorava as aulas dela, o que passou a ser um fator muito importante e decisório para decidir por nunca parar de escrever, independentemente da profissão que eu escolhesse.

Quais as suas principais referências literárias?

Alguns livros me marcaram e as referências iniciais são do mesmo autor. O sueco Jostein Gaarder. É incrível o que ele consegue transmitir em seus livros e como a nossa mente expande ao ler suas obras.

Qual o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

Do autor Jostein Gaarder, O mundo de Sofia. Esse livro com toda certeza marcou a minha vida. Cada capítulo que eu lia, usava minha mãe como meu público: contava o que estava lendo. Acredito que a importância do livro se deu no amadurecimento que ele me trouxe, principalmente no que se refere à compreensão e interpretação de texto e análise de conteúdo, algo bastante usado na própria Economia.

Como funciona o seu processo criativo?

A minha profissão é economista, não exatamente escritora, mas mesmo assim acredito que o processo criativo é bastante importante no momento de escrita. Costumo pensar em um tema atual, algo que não é muito comentado. Se é, busco, aprofundar com um olhar diferente.

Em que se tornar uma estudiosa publicada modificou sua vida?

Compartilhar estudos e um conteúdo mais técnico modifica a minha vida por conseguir, por meio da escrita, levar conhecimento, contribuir com a ciência e com o debate econômico. De alguma forma, consigo levar uma singela contribuição à sociedade e isso é muito recompensador.

Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinha todos os problemas surgidos durante o processo?

Algumas vezes converso, apesar de preferir ficar sozinha, pois é quando acontecem alguns insights. Quando pronto, no caso de um livro, é necessário e mais enriquecedor conversar também com a editora, por exemplo.

O advento da internet facilita ou atrapalha o ingresso na literatura, tanto de novos leitores quanto de novos escritores?

Eu acredito que com a internet muitas pessoas que não gostavam de ler passaram a ler um pouco mais, facilita a leitura de obras que por muitas vezes eram inacessíveis. O mesmo vale para a facilidade em  se tornar um escritor. A qualidade, no entanto, é um pouco questionável, nem sempre tudo aquilo que é produzido ou é visto e lido na internet é de boa qualidade. Assim, ao mesmo tempo em que existe a facilidade de ingresso e acesso, é como se todo mundo passasse a ser divulgador de opinião, haja vista a quantidade de blogs e afins criados diariamente.

Em sua opinião, qual a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

Na minha opinião, a taxa de leitores permanece extremamente baixa no Brasil e geralmente não só pelos desafios educacionais no país, mas também  em decorrência de algo cultural, um desinteresse por parte da população. Esse cenário já mudou bastante, mas a maioria não gosta ou prefere fazer outra coisa em vez de ler. Consequentemente, por esse hábito já ser de certa forma enraizado, a leitura não é algo reconhecido e tampouco incentivado devidamente no país. Para ilustrar, podemos ver a quantidade de produções acadêmicas no Brasil quando comparamos com os outros países do mundo. Ainda é bastante pequena, um reflexo da cultura e da educação.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

Acredito que acima de tudo deve existir paixão por aquilo que se faz. Sem ela o trabalho não é o mesmo. Na minha opinião, também é necessário se ater à gramática, estudar muito para que se possa trazer algo com qualidade mesmo sabendo da pressão existente em relação à quantidade de produções versus tempo. Ademais, é algo que envolve muita paciência. Costumo comparar com um filho, pois você deve nutri-lo de saber e de alimento em todo o processo de crescimento. No caso da obra, você relê, revê, aperfeiçoa até sair um livro mais próximo da possível “perfeição”.

Quais os planos para o futuro?

Continuar escrevendo, sejam livros ou artigos, continuar amadurecendo, pois quanto mais escrevemos mais experientes ficamos. Assim, poderei contribuir um pouquinho com a sociedade que tanto necessita.