Entrevista a Danniel Teller

Danniel Teller é autor de 13º universo: a longa jornada e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

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Danniel TellerComo se descobriu escritor?

Quando pequeno, adorava sentar na máquina de escrever dos meus pais e datilografar qualquer coisa que passasse pela minha cabeça, mas era complicado pois as teclas eram esparsas e duras para uma criança. Anos depois, eles compraram um computador, daqueles bem grandes, com um programa de texto arcaico. Me divertia muito transcrevendo textos de revistinhas que eu lia, até que me deparei com uma edição especial da revista que eu adorava, “Heróis”. Não lembro exatamente o número, acho que a 33 ou 34. Nela conheci um quadrinho que apresentava um garoto comum que se transformava em super-herói e tinha como mote resgatar sua namorada das garras do vilão. Não era nenhuma história diferente das demais, mas aquilo me chamou a atenção com tamanha força que naquele momento comecei a escrever. Na verdade, transcrevia as falas e descrevia os cenários com muita fidelidade, mas acabei perdendo as edições posteriores e nunca soube como terminou a história. Imaginava que estava criando a melhor história, mas só anos depois notei que na verdade estava plagiando. Todavia foi naquele momento, na salinha apertada e recheada de livros que minha paixão pela escrita começou.

Qual é a sua principal inspiração?

Ao longo dos anos me distanciei da escrita e só fui voltar a me aproximar em 2009. Mudei de São Paulo para Porto Alegre com a minha família por causa do trabalho do meu pai e, como não conhecia ninguém, aproveitei para começar a ler uma saga literária do Stephen King, A Torre Negra. Fiquei tão fascinado pelos personagens, detalhes e visões do autor que passei a criar confiança para me arriscar a criar meu próprio mundo.

Quais são as suas principais referências literárias?

Saga Harry Potter (J. K. Rowling), Saga A Torre Negra (Stephen King), Saga Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien), O Mágico de Oz (L. Frank Baum) e Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll).

Qual é o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

Novembro de 63, do autor Stephen King. Há todos os ingredientes essenciais para uma história épica, suspense, drama, terror, romance, comédia e até viagem no tempo, algo que me fascina. Me marcou demais a construção dos personagens, suas escolhas e o final arrematador e imprevisível.

Como funciona o seu processo criativo? Como cria seus personagens e histórias?

Sempre tive dificuldade quando procurava levar a história por caminhos vindos da razão e da mente. O desenrolar é um processo automático, como se eu fosse apenas um meio para que a história fluísse, sem poder dar muita opinião em questões centrais da trama. Enxergo que em meus livros as coisas acontecem como tem que acontecer e não como eu gostaria que fosse.

Para as ideias que vão aparecendo durante momentos em que não estou escrevendo, geralmente deixo um caderno em meu criado mudo para anotar qualquer coisa que acho interessante, principalmente sonhos. Anoto assim que acordo, o que se mostrou um exercício incrível, pois dos sonhos consigo aproveitar muito material. Entretanto, creio que o mais importante para o processo é absorver a mais abrangente cultura possível, seja através de livros, filmes e até jogos.

Em que se tornar um contador de histórias modificou a sua vida?

Enxergo a vida por outro prisma, no qual na verdade não há pessoas boas ou ruins, cada um apenas está tentando navegar sua vida do jeito que aprendeu e que acha da melhor forma para se sentir feliz. Isso me ajuda muito a lidar e entender a vida e os motivos das pessoas em suas tomadas de decisões. Aprofundei no raciocínio e lógica dos porquês das pessoas e suas consequências.

Tudo isso atrelado a mergulhar em um mundo onde tudo pode ganhar vida em instantes. Sou fascinado por transformar algo irreal em uma possibilidade, mesmo que remota, de acontecer. Passar esperança de que nada é impossível, basta sonhar e fazer acontecer. Sou uma pessoa sonhadora, que acredita, do meu próprio modo, em romances épicos, alma gêmea, amor puro e essas coisas. Acho que a relação entre as pessoas, seja de amizade, família ou de jeito romântico é o que há de mais importante na vida, o resto é superficial e uma consequência de viver.

Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinho todos os problemas surgidos durante o processo?

É raro conversar com alguém sobre o livro enquanto estou no processo de desenvolvimento, prefiro deixar que eu ultrapasse esse desafio, ainda que depois de terminado utilize de algumas ideias que possam vir a ser interessantes e agreguem a história, um outro ponto de vista para enriquecer a história. Várias vezes insiro problemas à trama para que eu consiga solucionar indo pelo melhor caminho, ou às vezes, pelo mais inusitado. Gosto desses desafios pessoais.

O advento da internet facilita ou atrapalha o ingresso de novos leitores e de novos escritores na literatura?

Consigo enxergar tanto virtudes como obstáculos com o advento da internet. Por um lado, com a crescente facilidade de informação, as pessoas deixaram de buscar um aprofundamento grande da língua, assim nascendo escritores com deficiências grandes em certas áreas. Por outro, você pode notar que a quantidade de escritores aumentou exponencialmente, ainda mais com as fanfics e plataforma na qual você pode lançar seu livro para que qualquer um tenha acesso.

Falando sobre o ingresso, acho que facilita, pois você tem um maior contato com seus leitores (e vice-versa), troca críticas e conselhos.

Na sua opinião, qual é a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

O incentivo à leitura dos jovens, além do péssimo ensino brasileiro, que acaba matando futuros leitores e escritores. O Brasil não dá suporte para que você possa se desenvolver como escritor. Além do mais, as grandes editoras preferem focar mais em autores internacionais do que apostar em jovens nacionais, perdendo grande talento brasileiro.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

O maior desafio que você encontra é continuar escrevendo. A inspiração vai e vem, mas a vontade e o sonho permanecem. Colocar na cabeça que o sonho não vai se escrever sozinho, seja em um dia ensolarado, bom e inspirado ou em uma péssima e cinzenta tarde de segunda-feira. Saber lidar com a insegurança de como os leitores irão reagir também é um grande desafio.

Quanto a questão de ser publicado, se você for persistente e buscar sempre melhorar como escritor, uma hora será publicado, cedo ou tarde. Uma última coisa: é bem importante mostrar seu original antes de tentar ser publicado, é necessário ouvir críticas, até de pessoas da qual não se tem tanta intimidade e sejam imparciais.

Quais são os seus planos para o futuro?

Publicar meu segundo e terceiro livros que estão terminados e conseguir escrever um livro por ano, no mínimo. Tenho planos também de ajudar jovens a melhorarem na escrita e se alçarem no mercado.