Entrevista a Edyangel Marques

Edyangel Marques é autora de Infância perdida e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

Confira nossa programação.

 

Edyangel MarquesComo se descobriu escritora?

Através de uma história que vivenciei aos meus doze anos, que inclusive é a história do meu livro de autobiografia.

Qual a sua principal inspiração?

A minha principal inspiração foi minha mãe, a quem dedico, com todo o meu amor, o meu livro.

Sua profissão ou o lugar de onde veio tiveram alguma influência em seus temas e em seu modo de escrever?

Com certeza! Minha origem, de onde vim, foi uma das principais influências para eu poder escrever e me dedicar à escrita.

Quais as suas principais referências literárias?

São muitos os autores consagrados de nossa literatura, fica meio difícil dizer quais são os melhores, mas poderia classificar os mais importantes para mim, por meio dos seus respectivos estilos literários. No Romantismo, cito Álvares de Azevedo, Castro Alves e José de Alencar. No Modernismo, gosto de João Cabral de Melo Neto e do Drummond.

Qual o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, foi um livro que li num momento de cegueira da minha vida. Foi muito importante, fico até arrepiada. Demorei para assistir ao filme, as imagens na minha cabeça eram tão fortes que não queria ver. Sou muito fã da escrita dele. Ele fala da alma de uma maneira que só ele sabe fazer.

Como funciona o seu processo criativo, como cria seus personagens e histórias?

Como é o meu primeiro livro, é uma história autobiográfica e fica fácil conseguir passar para o papel. O que dói é ter que relembrar algumas partes da vida que vivi e gostaria de esquecer. Voltar ao passado não é fácil, trata-se de reviver muitas dores.

Em que se tornar um contador de histórias modificou a sua vida?

Aprendi que nada é impossível quando se tem força de vontade, quando realmente se deseja ir em busca dos seus sonhos. Até então acharia impossível conseguir escrever um livro, porque as portas nessa área são difíceis, mas com paciência e persistência pude almejar o meu sonho.

 Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinho todos os problemas surgidos durante o processo?

Acho que é bom dividir ideias, ainda que muitas palavras sejam descartadas – haverá sempre alguma que vamos aproveitar. 

O advento da internet facilita ou atrapalha o ingresso na literatura, tanto de novos leitores quanto de novos escritores?

O computador, sem dúvida, é o grande instrumento que permitirá individualizar a aprendizagem, proporcionando ao mesmo tempo, a massificação do conhecimento.

Destaca-se também a descentralização do processo ensino-aprendizagem, onde o docente pode aprender também com os discentes. Além disso, é bom destacar todas as facilidades que o uso do computador e da Internet podem disponibilizar, visando uma melhor eficiência deste processo interativo educativo. A respeito, cito Paulo Freire “Quem ensina aprende ao ensinar, quem aprende ensina ao aprender.”

Em sua opinião, qual a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

Apesar de o Brasil ser um país enorme, com milhões de potenciais escritores e leitores, esse mercado da literatura é relativamente pequeno. Vários fatores influenciam esse fato. A educação no Brasil que, em sua maioria, é muito deficiente, é a principal causa. A média de livros lidos aqui no Brasil por pessoa é de 4 por ano. E isso inclui, muitas vezes, livros obrigatórios das escolas, os paradidáticos, etc. A média para livros lidos por hobby mesmo é de somente 1 por ano.

Por isso que muitos brasileiros que sonham em ser escritores, geralmente, apesar de serem bons, não conseguem seguir essa carreira, pois com a remuneração que ganham escrevendo não conseguiriam sobreviver. Existem poucas exceções, como Paulo Coelho, por exemplo.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

Sim, não se preocupe tanto se  outras pessoas estão lendo o que produziu e aceite as críticas, sejam elas quais forem. Depois, reúna material suficiente para a publicação de um livro, faça uma pesquisa para descobrir quais são as editoras que publicam a sua linha editorial e, sobretudo, nunca desista, pois você, com certeza, receberá vários nãos até o momento do glorioso sim.

Quais os planos para o futuro?

Pretendo, para logo mais, lançar o meu segundo livro. Acho que, independente da aceitação desse primeiro, nunca vou desistir. Pois sei que tudo tem sua hora e momento, então a minha vai chegar. Força, foco e fé.