Entrevista a Felipe Andarilho

Felipe Andarilho é autor de Heróis e anônimos e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

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Felipe AndarilhoComo se descobriu escritor?

Em 2009, criei o blog Músicas de andarilho. Inicialmente, a ideia era comentar sobre canções que eu chamo de “viajantes”. Com o tempo, o blog cresceu e os tipos de texto também. Foi aí que percebi que gostava muito de escrever.

Qual a sua principal inspiração?

Tudo. Música, filmes, séries, livros, artigos. Cultura pop em geral. Tudo o que eu vejo acaba se tornando parte da minha narrativa de alguma forma.

Quais as suas principais referências literárias?

Bernard Cornwell, Chuck Palahniuk e mais outros tantos.

Qual o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

O caminho do guerreiro pacífico, de Dan Millman. Com esse livro aprendi como conciliar o lado espiritual da minha vida com os problemas diários que inevitavelmente aparecem.

Como funciona o seu processo criativo, como cria seus personagens e histórias?

As ideias aparecem, literalmente, do nada. Às vezes estou no ônibus ou num café e alguma coisa – ou alguém – me faz pensar numa história. Logo percebo que aquilo daria uma boa crônica ou até mesmo uma narrativa mais complexa e, então, anoto no meu celular. Depois de alguns dias eu pego aquele “minienredo” e passo a trabalhar nele.

Em que se tornar um contador de histórias modificou a sua vida?

Sou inspirado diariamente por outros contadores de histórias. Sejam cineastas, escritores ou até mesmo amigos num happy hour de sexta. Percebi como as histórias nos ajudam a moldar quem somos. Quando escrevo algo e alguém diz que se identifica com aquilo é quando considero que obtive sucesso com minha história.

Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinho todos os problemas surgidos durante o processo?

Geralmente resolvo sozinho, mas gosto de ter a opinião de alguns amigos sobre determinados trechos.

O advento da internet facilita ou atrapalha o ingresso na literatura, tanto de novos leitores quanto de novos escritores?

Acho que é uma faca de dois gumes. Por um lado, torna tudo mais fácil, aproximando os escritores das editoras e, principalmente, do seu público. Por outro lado, torna a competição muito mais acirrada. No fim das contas acho que lançar um livro hoje é mais fácil com a ajuda da internet. Os artistas, de modo geral, podem ser mais independentes.

Em sua opinião, qual a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

Ao contrário do que muitos dizem, não acho que o brasileiro lê pouco. Acho que ele lê uma literatura muito importada. As grandes editoras priorizam títulos de autores estrangeiros já consagrados. Autores novos e brasileiros tem que abrir uma brecha num mercado praticamente já dominado. É um trabalho difícil, mas tem o seu brilho. No fim você acaba tendo um público muito mais próximo e fiel ao seu trabalho.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

Acredite no seu material e não espere pela resposta de uma grande editora. Estamos numa era em que, com algum esforço, é possível fazer tudo: escrever, publicar, lançar. Não pense que irá começar com um best-seller, mas, aos poucos, seu público vai se formando e você irá lançar muitos outros livros.

 Quais os planos para o futuro?

Tenho um novo livro já praticamente pronto que pretendo lançar no ano que vem. Estou trabalhando também em alguns curta metragens, então uma das minhas ideias é adaptar alguns contos para o mercado audiovisual.