Entrevista a Guilherme Almeida

Guilherme Almeida é autor de Ô sorte! Memórias de um imperador: uma breve biografia de Wilson das Neves e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

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Guilherme AlmeidaComo se descobriu escritor?

Por ser professor, a escrita e a leitura sempre tiveram presentes em meu dia a dia. O que não imaginava era enveredar pela área da biografia, coisa despertada pelo amor ao samba e reverência a Wilson das Neves.

Sua profissão ou o lugar de onde veio tiveram alguma influência em seus temas e em seu modo de escrever?

Sim. Por ser professor de história e trabalhar com frequência assuntos relacionados a nossa cultura, foi despertando a vontade de criar uma obra sobre uma das figuras mais reverenciadas da música, um excelente narrador de parte da grande historia musical brasileira, além de estar cravado nas manifestações religiosas de matriz africana e na musicalidade do samba, nossa maior herança cultural.

Quais são as suas principais referências literárias?

São variadas. Desde Chesterton, passando por Dostoiévski, Tchecov, T.S.Eliot, Gustavo Corção, Nelson Rodrigues…

Qual é o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

São vários, mas Ortodoxia, de G.K. Chesterton me marcou muito, tanto pelo período de vida que estava imerso quanto pelo conteúdo exposto na obra. Ele foi fundamental para o impulso da biografia do Wilson das Neves, pois a tradição é algo reverenciado por Chesterton e pelo músico.

Como funciona o seu processo criativo? Como cria seus personagens e histórias?

No caso dessa biografia o personagem já estava pronto, o que quebrei a cabeça foi como sintetizar em poucas páginas uma história tão ampla e profunda. Assim foi pensada uma breve biografia para dar um start sobre sua história e encorajar outros escritores e pesquisadores de música para dar continuidade a obra. A formatação se deu em forma de entrevista com o Das Neves e com músicos que ele escolheu, como Chico Buarque, Paulo César Pinheiro, Cláudio Jorge, para falarem de sua trajetória e importância no mundo da música, e também como amigo e parceiro.

Em que se tornar um contador de histórias modificou a sua vida?

Sou mais feliz agora, pois vi nascer uma obra que é meu agradecimento por tudo que Wilson das Neves representa para o mundo da música e para mim. O Brasil precisa conhecer personagens como Das Neves, que revolucionam seu meio, sem perder sua essência e história. O sentimento é de missão cumprida.

Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinho todos os problemas surgidos durante o processo?

Conversei com muitas pessoas no decorrer do trabalho. Pessoas que conheciam a historia do Wilson das Neves e leigos sobre o assunto. Isso é fundamental para esse tipo de obra, pois a intenção é apresentar um personagem real à sociedade, que é muito conhecido no meio musical e nem tanto pelo grande público. Todos conhecem Chico Buarque, mas poucos sabem que Wilson das Neves é seu baterista a mais de 30 anos e que “segura” toda a banda com suas baquetas.

Na sua opinião, qual a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

Por ser novo nesse tipo de empreitada, ainda não senti essas dificuldades, bem porque a Editora Multifoco foi de uma parceria muito boa e profissional.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

Faça. Coloque o bloco na rua. Não pense muito em fazer uma obra perfeita, pois sempre terá modificações e alterações a fazer. Planeje o enredo com início, meio e fim e tente não alterar muito esse plano. E escreva com o coração.

Quais são os seus planos para o futuro?

Agora organizar as ideias para uma obra nova. Mais ainda é segredo….

 

Book trailer de Ô sorte! Memórias de um imperador: uma breve biografia de Wilson das Neves