Entrevista a Janine Rodrigues

Janine Rodrigues é autora de No reino de Pirapora e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

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PERFIL_Janine RodriguesComo se descobriu escritora?

Gosto de escrever desde que sou criança. Tive uma grande influência familiar que foi a do meu cunhado, Ricardo, que sempre me deu livros. Sou admiradora do Ziraldo, minha grande inspiração também. Escrever sempre foi uma paixão, mas o tempo foi passando e acabei seguindo outro rumo, outras profissões. O amor pela escrita e pela leitura, no entanto, acabaram falando mais alto e finalmente resolvi publicar meu primeiro livro.

Qual a sua principal inspiração?

Minha inspiração é a criança e o universo infantil. A criança que tenho em mim, a criança que todos temos e as crianças pequeninas. A sabedoria dela, a sinceridade, a leveza, o afeto, os sentimentos. Gosto da sabedoria das crianças, amo a magia e o fantástico mundo do brincar.

Quais as suas principais referências literárias?

Ziraldo, Milan Kundera, Tolstoi, Ruth Rocha, Tatiana Belinky e os irmãos Grimm.

Qual o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

Sem dúvida, O Menino Maluquinho. Cada página, cada letra, cada rima, tudo remete a minha infância. Meu amor pelos livros, pelos textos, suas composições, a simplicidade dos desenhos, tudo.

Como funciona o seu processo criativo, como cria seus personagens e histórias?

Depende, eu gosto de escrever naturalmente. Sem forçar uma barra para, por exemplo, escrever algo que ‘’está na moda’’ ou algo que pode me trazer um retorno mais imediato, só por ser o assunto mais falado do momento. Tem coisas que aconteceram 15 anos atrás e me trazem inspiração para uma história, assim como coisas que aconteceram ontem me inspiram também. Basta sentir que a inspiração vem que eu já sento, escrevo (sempre no papel, com caneta na mão) e as coisas vão acontecendo.

Em que se tornar um contador de histórias modificou a sua vida?

Esta é uma atividade que me aproxima ainda mais da leitura, das crianças e dos adultos. Acredito que somos todos contadores de histórias. Quando escrevi a Piraporiando, a contação de histórias percebi que foi a primeira atividade que desenvolvi. Com o tempo, fui me dando conta de que é algo que amo, algo tão simples e tão especial. É gratificante compartilhar histórias, não só contar como ouvir.

Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinha todos os problemas surgidos durante o processo?

Não enxergo as dúvidas como problemas. Acho que problema seria uma palavra pesada. Mas também dizer que faço tudo sozinha não seria verdade. Porque na verdade tudo a minha volta, tudo que conheço, todas as pessoas com as quais converso, tudo isso me inspira. Tudo me mostra como uma mesma situação pode ser interpretada de maneira diferente por cada pessoa, por cada personagem. Como já dizia o sábio e admirável Paulo Freire: “A leitura do mundo precede a leitura da palavra.”

O advento da internet facilita ou atrapalha o ingresso na literatura, tanto de novos leitores quanto de novos escritores?

A tecnologia pode ser boa ou ruim, dependendo da medida. Acho ruim quando passamos mais tempo olhando para uma tela do que olhando o mundo lá fora ou até mesmo para as pessoas. Acho que temos que ter cuidado principalmente quando falamos de crianças. Ainda acredito que nada substituiu coisas como correr no quintal, subir em uma árvore, jogar bola, pegar um livro nas mãos e sentir a textura das folhas, marcar uma história em um trecho que você gostou muito, se lambuzar comendo manga, essas coisas. Gosto de tato, de tempo e de gente.

Em sua opinião, qual a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

Com essa pergunta me vem à cabeça uma lista enorme de dificuldades. Uma delas é a porcentagem absurdamente baixa de direitos autorais paga aos autores. Além da falta de incentivo financeiro e incentivo de formação para o novo escritor. Apesar disso, sempre digo que precisamos ir à luta. Embora eu ainda tenha muita estrada a percorrer, reconheço que alcancei coisas importantes e que os objetivos de agora estão sendo alcançados com muito trabalho, empenho e dedicação. Não teve patrocínio, não teve editora me bancando 100%. Teve trabalho. Mão na massa. Investimento. Claro que contei com parceiros, mas me dediquei muito, assim como me dedico até hoje. Escrever, ficar em casa de pernas para o ar, achando que vai vender milhões e um dia vão convidá-lo para ir ao programa do Jô Soares. Isso é complicado. Sonhar é necessário e é bom. Mas trabalhar é essencial.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

Leia, trabalhe, pesquise, pondere os conselhos (os bons e os maus) e seja um eterno apaixonado. Quando as coisas ficarem difíceis, lembre-se do porquê você embarcou nesta viagem. Se este ‘’porquê‘’ ainda fizer sentido, siga em frente.

Quais os planos para o futuro?

Que meu trabalho como escritora e artista educadora alcance mais famílias, mais crianças. Continuar escrevendo e publicar meu quarto livro no início do ano. Ser feliz. Continuar sendo grata porque sou uma pessoa abençoada por poder fazer o que amo.