Entrevista a L.P.S. Mesquita

L.P.S. Mesquita é autor de Trindade: sombras de Agmar e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

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L. P. S. MesquitaComo se descobriu escritor?

Escrevo desde que me entendo por gente, sempre gostei de inventar e contar histórias. Mas comecei a ter trabalhos publicados em 2013, quando tive artigos e pesquisas acadêmicas convertidos em livros. Ficção, em especial fantasia, escrevo desde a minha adolescência, principalmente enredos de aventuras que usávamos em partidas de RPG.

Qual a sua principal inspiração?

Qualquer coisa pode me inspirar, seja uma pessoa, um gesto, um evento, uma música. A personagem Salúria, por exemplo, teve o nome e a personalidade tiradas de um documentário sobre mariposas. Um autor que me baseio muito é o J.R.R. Tolkien.

Sua profissão ou o lugar de onde veio tiveram alguma influência em seus temas e em seu modo de escrever?

Sou formado em jornalismo e pesquisador em letras, por isso meu texto é muito solto e limpo, de fácil compreensão.

Quais as suas principais referências literárias?

Várias. Livros, quadrinhos, animações, séries, filmes, videogames, músicas, teatro, entre outros. Alguns exemplos: Doctor Who, Senhor dos Anéis, Scream, Resident Evil… Nunca parei para pensar em uma lista definitiva, mas uma coisa eu tenho certeza: ela só tende a crescer.

Qual o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

Não sei responder isso. Não existe um livro e sim vários. Além disso, nem todos são propriamente livros (sou multiplataforma, sabe?!). Mas algo que deu uma reviravolta no enredo de Sombras de Agmar foi o jogo The last of us. Quando fiz os primeiros rabiscos de Salúria e Nathanael, ele seria um guardião rancoroso e infeliz, que descontava suas frustrações de vida em sua protegida. Após conhecer The last of us e me emocionar com a relação de Joel e Ellie, eu acabei reformulando a relação dos meus dois personagens, ainda que sem abrir mão da missão de redenção de Nathanel.

Como funciona o seu processo criativo, como cria seus personagens e histórias?

Sempre que posso penso neles, tento entendê-los (sem julgá-los) e ter empatia com seus pensamentos e escolhas. Quando algo produtivo surge, eu anoto. No fim eu tenho uma linha narrativa sobre determinado personagem, cruzo com outras linhas e tenho uma história sob diversos olhares e pontos de vista.

Em que se tornar um contador de histórias modificou a sua vida?

Gosto de falar sobre o meu livro, gosto quando as pessoas perguntam e se interessam pela história, é uma sensação boa saber que sua mensagem foi compreendida. Melhor ainda é ouvir a respeito de pontos que você jamais imaginou existir no seu enredo.

Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinho todos os problemas surgidos durante o processo?

Em geral eu desenvolvo sozinho, só depois de pronto que algumas pessoas de confiança leem e eu acato ou não suas sugestões, embora não seja nada muito grande, apenas detalhes sutis.

O advento da internet facilita ou atrapalha o ingresso na literatura, tanto de novos leitores quanto de novos escritores?

É um mar de incertezas, o melhor que você faz é escrever por prazer. A internet pode ser bem frustrante, tanto para novos quanto para antigos escritores.

Em sua opinião, qual a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

Falta de incentivo, altos impostos. Pelo menos os brasileiros estão lendo mais.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

Faça por você mesmo, faça pela sua história. Dinheiro e sucesso são consequências, não objetivos.

Quais os planos para o futuro?

Terminar a continuação de Sombras de Agmar, desenvolver novos livros, concluir meu mestrado, virar professor universitário.