A oficina pretende proporcionar o contato com esse auxiliar da escrita tão antigo. Principalmente para os nascidos na era do computador, escrever à máquina é um momento de encontro direto com a palavra escrita, o papel, a tinta e a força que os dedos fazem para datilografar, tão diferente do touchscreen de hoje. O corpo escreve. Tudo escreve. Escrever é descobrir-se e expressar-se. A escrita como forma de expressão. Lançar voz no mundo através das próprias palavras.

A máquina de escrever é um instrumento em que a criança percebe-se como ser atuante e pensador autônomo. Através de suas próprias mãos, coloca no papel suas palavras, ideias, pensamentos, sonhos, vivências. Em tempos tão tecnológicos, datilografar é um ato performático. É pausa. É resgatar um tempo outro, de diálogo, paciência, olho no olho. Encontro. Dos encontros já realizados, muitas crianças curiosas descobriram-se poetas. Fernando contou que pedirá uma máquina de escrever no Natal e que quando crescer quer ser poeta (ele já é). Nina, que ainda não lê, gostou de ver o carro da máquina se mover a cada tecla apertada. David disse que achava que isso era coisa do século XIX, e trocou a experiência da escrita por uma dobradura de tsuru que havia feito. Laura datilografou sobre dinossauros. Fernanda adorou que imprime direto. Guido disse que não era bom com poesia, depois escreveu textos muito criativos. Todos, de início, perguntaram como fazia para apagar. Não há. Como na vida. Gira o cilindro, pula essa linha e segue! A poesia está mais próxima da vida do que você imagina! Criatividade. Sentidos. Linguagem. Sensibilidade.

Venha experimentar!

Para participar:

– Traga coração aberto à inspiração.

Quem pode participar:

– Esta atividade será voltada ao público infantil, de preferência que já saiba ler e escrever, mas todas as idades são bem-vindas.

Objetivo:

– Estimular pequenos leitores a se expressarem exercitando a criatividade e sensibilidade – que habitam todos nós -, fazendo uso da palavra, mais viva do que nunca, como forma de expressão.

Propostas

– Serão oferecidos motes (versos, palavras, imagens) que favoreçam a criação literária em poemas, cartas, cartões-postais e afins. Ao longo do dia, as atividades poderão ser realizadas com cada criança ou em pequenos grupos. O resultado poderá ser levado pela criança ou acrescentado ao varal junto aos demais escritos em folhas coloridas.

Quem oferece:

– Aline Miranda é poeta, escritora e oficineira. Formada em Letras pela Universidade Federal Fluminense, é Mestre em Literatura pela PUC-Rio. Durante a faculdade participou em projeto de ensino lúdico atuando em escolas em Niterói. Vem desenvolvendo oficinas de poesia na máquina de escrever que herdou de sua tia. Frequenta cursos e palestras temáticos, como o seminário de Literatura Infantil organizado pela escritora e ilustradora Marília Pirillo na Biblioteca de Botafogo, e as Oficinas de Poesia no Centro Cultural Hélio Oiticica. Com sua Oficina trabalhou em centros culturais e eventos como: Caixa Cultural (em diálogo com a exposição do poeta Leminski), Misturebinha (voltado ao público infantil), Feira Relicário (de tema vintage), O Mercado, além de projetos em escolas e de intervenções em espaços públicos.

(n)o meio da escrita

os dedos das mãos

o legado

a memória de poemas lidos em banho

a memória de poemas lidos antes de dormir

a herança

os dedos bem-acostumados da menina

à leveza

para bater é preciso força, bel

por isso dizem bater à máquina

diziam

isso, muito bem

sim, a fita é ainda antiga

de minha tia

bater à máquina, diziam

nós ainda dizemos

(poesia presente no zine “outrasbagatelas – outono” – Aline Miranda)