Entrevista a Rodrigo Bastos

Rodrigo Bastos é autor de BH contos e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

Confira nossa programação.

 

Rodrigo BastosComo se descobriu escritor?

Quando eu era adolescente, demorava para entregar as redações que a professora de português pedia para produzirmos em sala de aula, quase sempre com muitas rasuras. Um dia ela me escreveu um bilhete enorme, bastante elogioso, que terminava dizendo mais ou menos assim: “sua escrita me inspira labor”. Consultei o dicionário e aprendi que “labor” é “trabalho”. Aquilo ficou guardado em mim e eu sabia que um dia ia trabalhar com a escrita.

Qual a sua principal inspiração?

A vida real.

Sua profissão ou o lugar de onde veio tiveram alguma influência em seus temas e em seu modo de escrever?

Totalmente. Eu trabalho com jornalismo científico, uma área que tem como objetivo discutir questões complexas ligadas a ciência e tecnologia junto a um público amplo e não especializado. O meu modo de escrever é simples e direto, objetivo, sem abrir mão de tratar de questões complexas.

Quais as suas principais referências literárias?

Conan Doyle, Alexandre Dumas, Machado de Assis e Érico Veríssimo.

Qual o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

Não é um único livro, é uma trilogia, “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, com sete livros: O Continente 1 e 2, O Retrato 1 e 2, e O Arquipélago 1,2 e 3. A importância dessa leitura é a minha identificação com o gênero do romance histórico e essa mistura tão bem feita entre ficção e realidade feita por Érico Veríssimo.

Como funciona o seu processo criativo, como cria seus personagens e histórias?

Uma cena puxa a outra. Podem surgir cenas inteiras, sequências de diálogos na minha cabeça enquanto preparo uma refeição, enquanto tomo um banho. Mas a concatenação de tudo só surge no processo da escrita, mesmo. E só começando para ter uma continuidade. Às vezes a continuidade só sai depois de muita releitura do que já foi escrito, por menos que isso seja. E uma releitura sempre pode levar a uma reescrita de uma coisa ou outra. É possível que no início do processo já haja uma arquitetura geral da história, mas as partes da história só vão ficando claras no decorrer do processo.

Em que se tornar um contador de histórias modificou a sua vida?

É um encontro comigo mesmo.

Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinho todos os problemas surgidos durante o processo?

Resolvo sozinho os problemas durante o processo e peço a opinião de alguém depois que o trabalho está pronto, para ver se aparecem nessa outra leitura problemas que eu não havia percebido antes.

O advento da internet facilita ou atrapalha o ingresso na literatura, tanto de novos leitores quanto de novos escritores?

O mercado literário tem diversos exemplos de autores que começaram como blogueiros para depois lançar um livro. Não é a internet, em si, que facilita o ingresso de qualquer pessoa na literatura. É o uso que se faz dela. Alguns conseguem conquistar um público e isso acaba sendo um facilitador para ingressar no mercado. Mas isso não é fácil.

Em sua opinião, qual a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

Conseguir alcance de público antes de já ser um autor consagrado.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

Muita leitura, muita escrita e perseverança na tentativa de publicar.

Quais os planos para o futuro?

Publicar um romance.