Entrevista a Uilians Uilson Santos

Uilians Uilson Santos é autor de Certas coisas e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

Confira nossa programação.


Uilians Uilson SantosComo se descobriu escritor?

Apesar desse desejo só se materializar agora, acredito que a vontade de escrever começou ainda quando estava na escola. Lembro que uma das aulas preferidas era a de redação, quando conseguia colocar no papel muitas coisas que via e vivia. Acredito que, naquela época, eu não tinha bagagem e nem a noção disso, pois o processo de transformação de escritor foi algo lento que demorou anos e muitas leituras.

Qual é a sua principal inspiração?

Essa resposta é difícil de dar, mas normalmente utilizo elementos da vida real para compor os meus enredos. Fico atento a tudo que está ao meu redor que possa virar uma história interessante.

Sua profissão ou o lugar de onde veio tiveram alguma influência em seus temas e em seu modo de escrever?

Sou jornalista. Sim, eu acredito que a possibilidade de escrever reportagens e entrevistar pessoas facilitaram e muito esse meu processo criativo. Não quero dizer que se não fosse dessa forma eu jamais teria escrito um livro, mas essa experiência ajudou muito, sim.

Quais são as suas principais referências literárias?

São vários os meus autores e livros preferido, mas agora só consigo lembrar de alguns como Dostoiévski, Bukowski, Phillip Roth, Ferréz, Ana Paula Maia, Denis Lehanne, Gabriel García Márquez, Machado de Assis, entre outros.

Qual é o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

Sem dúvida, A Bíblia. Pois, ao mesmo tempo, que é a palavra de Deus, com grande poder transformador e que pautou a nossa sociedade, este livro carrega em suas páginas vários estilos literários, estilos de narrativas, diferentes pontos de vista, reflexões sobre a vida, concisão nos textos. É uma importante aula literária, cada leitura é uma descoberta.

Como funciona o seu processo criativo? Como cria seus personagens e histórias?

Acredito que, por ser jornalista, tenho dificuldades de ficar imaginando e inventado histórias. Mas procuro desenvolver os meus textos a partir de experiências, conversas e observações que faço e a partir daí componho os textos. Na verdade, os meus textos são colchas de retalhos da realidade.

Em que se tornar um contador de histórias modificou a sua vida?

Esse livro foi uma forma de matar alguns fantasmas e temas que estavam me incomodando e que precisava compartilhar com outras pessoas.

Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinho todos os problemas surgidos durante o processo?

Eu até gostaria de ter um orientador ou editor que pudesse me dar dicas durante o processo de escrita. Mas não tenho essa pessoa. Por isso, tenho que me virar sozinho e encontrar saídas para contar aquilo que acho importante. Mas neste livro, depois que escrevi o primeiro manuscrito, entreguei para três pessoas, com diferentes experiência literárias, para analisar o material. Depois que leram, acatei algumas de suas observações e outras não. Acho que esse exercício foi importante, pois o livro não era para ser um diário que ficaria escondido no fundo de uma gaveta, mas para ser publicado e lido por outras pessoas.

O advento da internet facilita ou atrapalha o ingresso de novos leitores e novos escritores na literatura?

Acredito que facilita. Mais pessoas, hoje, têm acesso a todas as etapas do livro, seja na leitura e construção das obras, que até então, eram feitas apenas pelas elites. Acredito que essa popularização auxiliará no desenvolvimento da literatura no Brasil. Ajudará a surgir novos escritores, com pontos de vista variados que mostrará diversidade de nossa cultura, que é o que faltava para a literatura brasileira mudar de patamar.

Na sua opinião, qual a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

Não sei. O meu livro ainda não foi publicado.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

Escreva e leia loucamente e, principalmente, não escute as milhares de vozes que dizem que você não é capaz, que não existe espaço para você neste universo. Não acredite. Esse tipo de coisa prejudicou muito a literatura no Brasil. Uma coisa que me disseram e carrego comigo até hoje é: as dificuldades fazem parte da trajetória na formação de guerreiro. Só conseguem se tornar vencedores aqueles que aprendem com cada obstáculo que surge e o supera. Então, não desista.

Quais são os seus planos para o futuro?

Já estou trabalhando num segundo livro que deve ficar pronto em breve.