OBRA INAUGURAL DO SELO VALE EM POESIA
LANÇAMENTOS 13/11/2009 – Pindamonhangaba
Guarulhos 12/06
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“À Medida dos Tempos”
À Medida dos tempos
Vivo sempre sem saber
quanto tempo durará a simplicidade do vento.
As horas descarregam sobre os ombros dos homens
todo seu peso sem medida a encurvá-los.
Somos como raízes no solo, que,
mesmo arrancadas,
as marcas, nem a medida das horas apagam.
Os fatos são narrativas
e conduzem tudo e sempre
a um começo,
a um meio,
a um fim…
De imediato,
restam-nos as reminiscências
sem peso,
sem medida,
sem tempo.
Raízes
Para Geraldo Rodrigues, meu pai
Meu pai é inteiro
Feito de um só tronco
Florando.
Tronco tosco, rude
Em que há cravadas nele
Orquídeas brotando.
Meu pai é chão
Chão dos altos
Da Bocaina sobrando.
Meu pai é água
Água da serra
Pedra derrubando.
* | p. 27 | *

Lançamento 13/03 – Guarulhos
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“Diálogos que ainda restam”
EM PRETO E BRANCO
Consolam minha alma murcha
minha tristeza crônica, doentia,
meu rosto orvalhado
Minha natureza é náufraga
olhar de olhos de flecha,
de flerte, que me diverte
Compro minhas alegrias efêmeras
o troco é o arrependimento tardio
nessas horas enxergo em preto e branco
Vivo em preto e branco
durmo em preto e branco
sonho em preto e branco
Em preto e branco
faço minhas preces
que sei de cor
* |p. 47| *
Lançamento 10/04 – Ribeirão Pires/SP
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A QUARTA PAREDE
A QUARTA PAREDE
No fundo do eu,
espectador do imaginário
e das contradições,
assisto o meu elenco
na passividade de plateia
que sou.
Figurante do que sinto
enceno os dias
na arena de coadjuvantes
que protagonizam
o sonho improvisado desta ficção.
Cômica caixa cênica
em suspensão de descrença
que o auditório não vê,
embora pense que creia.
Parede imaginária
no invisível
deste pedaço de vida
a confundir o elenco.
Palco de invasores sentimentos,
nas coxias intransitáveis da alma,
que não vêm à cena.
Mundo lúdico enredado
na rotunda da emoção.
Quarta parede a impedir o sim
quando a plateia
só enxerga o não.

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nov.16,2010



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