Entrevista a Vitor Isensee

Vitor Isensee é autor de Vivas veredas e A todo pano e estará no estande da Multifoco na Bienal 2016.

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Vitor IsenseeComo se descobriu escritor?

Atuo profissionalmente como músico e compositor desde 2004. Em 2011, percebi que tinha muito material guardado e que nunca havia virado musica. Selecionei poemas e letras desse material e formei o livro de poesias Vivas veredas, lançado pela Multifoco em 2012.

Qual a sua principal inspiração?

A Vida e seus desdobramentos. Os traumas, triunfos, tragédias, derrotas e vitórias pelos quais passamos todos.

Sua profissão ou o lugar de onde veio tiveram alguma influência em seus temas e em seu modo de escrever?

Sem dúvida. Por compor letras de música, existe um “traço” característico desse tipo de trabalho na poesia que escrevo. E o lugar de onde venho, o Rio de Janeiro, é por si só um convite à poesia. Para o belo e para o feio.

Quais as suas principais referências literárias?

Carlos Drummond de Andrade, Amyr Klink, Ricardo Chacal, Matilde Campilho e tantos outros.

Qual o livro mais marcante que já leu e por qual razão o considera tão importante?

O gato malhado e a andorinha sinhá, de Jorge Amado. Li esse livro na infância, aos 9 anos de idade, e ele foi fundamental para despertar em mim a ideia do lúdico e poético da Vida.

Como funciona o seu processo criativo, como cria seus personagens e histórias?

O processo poético é contínuo. Às vezes sento pra escrever e não sai nada. Às vezes as ideias surgem “sozinhas”, no chuveiro ou no trânsito, por exemplo. Anoto-as e de tempos em tempos me concentro em elaborar o material acumulado. Assim os poemas vão sendo “lapidados”.

Em que se tornar um contador de histórias modificou a sua vida?

Posso dizer que hoje me realizo bastante pessoal e socialmente, por poder expressar-me através da escrita. É uma satisfação dificil de descrever.

Conversa com alguém sobre o livro no decorrer da escrita ou prefere resolver sozinho todos os problemas surgidos durante o processo?

Converso bastante. Peço opiniões e, muitas vezes, transformo o trabalho de acordo com o feedback que recebo. Acho fundamental o “olhar de fora” para nortear o processo criativo.

O advento da internet facilita ou atrapalha o ingresso na literatura, tanto de novos leitores quanto de novos escritores?

Facilita na medida em que a informação está mais facilmente ao alcance dos interessados. É possível criar e mostrar ao mundo independentemente de uma editora publicar ou não a sua obra. Por outro lado, atrapalha na medida em que essa mesma informação se encontra, por muitas vezes, confusa e bagunçada no ambiente virtual. Não é raro encontrar trabalhos atribuídos a autores que não o fizeram, trabalhos sem dados de autoria, etc.

Em sua opinião, qual a maior dificuldade em ser escritor no Brasil?

Somos, infelizmente na minha opinião, uma nação extremamente televisiva. O incentivo à leitura é algo pouco arraigado na cultura brasileira. Talvez essa seja a maior dificuldade para um escritor que aqui vive.

Alguma dica para quem está pretendendo se lançar na carreira literária?

Ser sincero.

Quais os planos para o futuro?

Lançar meu novo livro, A todo pano, na Bienal de São Paulo, divulgar esse trabalho por outras cidades do país e seguir escrevendo.