LIVRO

Visões das direitas no Brasil (1961-1965)

R$60,00

  • Autor
    Ricardo Mendes
  • ISBN
    9788582738801
  • Ano
    2021
  • Páginas
    352
  • Gênero
    História, Política
  • Selo
    Multifoco

Descrição

O processo de radicalização política desenvolvido entre a renúncia de Jânio Quadros em agosto de 1961 e o comício da Central do Brasil em março de 1964, alcançou seu clímax com a deposição do presidente João Goulart e o estabelecimento de uma ditadura civil-militar que durou mais de 20 anos. Em um contexto de uma sociedade cada vez mais polarizada, o confronto se efetivou em torno de diferentes projetos de sociedade gestados dentre os principais atores políticos da primeira metade dos anos 1960.
“Visões das Direitas no Brasil” procura mapear como um desses polos políticos em embate – as direitas -, percebeu aquele momento. Diante da crescente mobilização de parte da sociedade reivindicando uma divisão mais justa das riquezas, mais direitos sociais, a eliminação dos entraves a uma maior participação política e uma autonomia significativa do país diante do cenário da Guerra Fria, houve uma profusão de propostas reativas por parte das direitas.
Ainda que apresentando em comum um olhar que associava as demandas acima assinaladas ao comunismo, mesmo que não fossem necessariamente antagônicas ao capitalismo, parcela das Forças Armadas influenciadas pela Doutrina de Segurança Nacional, segmentos do empresariado estruturados em torno do complexo multinacional-associado IPÊS/IBAD e ainda políticos vinculados à UDN-golpista – considerados aqui como os principais catalisadores de 1964 -, possuíam propostas distintas entre si.
Partindo de múltiplas percepções do passado imediato – reacionárias, marcadas pelo conservantismo e autoritarismo, bem como defensoras da manutenção do status quo -, os personagens coletivos aqui analisados delinearam suas formas de ver o presente vivido e formataram seus projetos de sociedade com o intuito de recuperarem, mais uma vez, a subordinação daquelas frações mais confrontativas da sociedade.
Quatro questões são avaliadas como possuindo um papel central nesses debates políticos e foram articuladas de formas distintas por essas facções das direitas: a forma de viabilizar o desenvolvimentismo econômico, a maneira pela qual o país deveria se colocar no embate da Guerra Fria, as perspectivas distintas sobre a participação política, bem como o candente debate em torno da questão social, relacionado diretamente à implementação da reforma agrária e a manutenção da legislação trabalhista. Essas temáticas são denominadas aqui como “ideias polarizadoras” visto que, em torno das mesmas, efetivaram-se as principais disputas políticas e os mais diferentes setores da sociedade mobilizaram-se.
Nesse sentido, “Visões das Direitas no Brasil” procura apontar que o embate que se desenvolveu naquele momento não ocorreu apenas entre os dois polos do sistema político, mas também dentro de cada um desses espaços. Isso, pelo menos até os primeiros meses de 1964, quando o consenso negativo em torno de Jango e do “comunismo” se sobrepôs momentaneamente às diferentes propostas desses grupos situados à direita.
Em vez de centralização na preparação do golpe e ausência de projetos, a análise de uma vasta documentação aponta para a fragmentação no encaminhamento da deposição de Jango e para a pluralidade de perspectivas de sociedade presentes dentre as direitas. Revistas e jornais produzidos por esses grupos, Anais do Congresso Nacional bem como filmetes de propaganda indicam que as ideias polarizadoras foram combinadas de formas variadas dentre os principais centros catalisadores de 1964, contribuindo para a formatação de perspectivas muitas vezes rivais, ainda que não completamente antagônicas entre si. Apresentar essa diversidade de projetos dentre as direitas nos anos 1960, aspecto que ainda encontra uma atualidade significativa no Brasil contemporâneo, é uma das preocupações centrais de “Visões das direitas no Brasil”.